Cesare Pavese

Itália
9 Set 1908 // 26 Ago 1950
Escritor

32 Textos

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Maior Prazer Dar que Receber (1)

Uma das leis cómicas da vida é a seguinte: é amado não quem dá, mas quem exige. Quer dizer, é amado aquele que não ama, porque quem ama dá. E compreende-se: dar é um prazer mais inesquecível do que r...

A Lamentação é Completamente Inútil (2)

Não há dúvida de que é inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante o mundo. Resta saber se não é igualmente inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante nós próprios. Evidentemente. De facto, ninguém ...

A Imaginação Humana é Imensamente Mais Pobre que a Realidade (3)

A imaginação humana é imensamente mais pobre que a realidade. Se pensamos no futuro, vemo-lo sempre desenvolver-se segundo um sistema monótono. Não pensamos que o passado é um multicolor caos de gera...

A Única Alegria Neste Mundo é a de Começar (4)

A única alegria neste mundo é a de começar. É belo viver, porque viver é começar, sempre, a cada instante. Quando esta sensação desapaece - prisão, doença, hábito, estupidez - deseja-se morrer.

O Castigo do Egoísta (5)

Quem não sabe viver com caridade e abraçar a dor dos outros, tem como castigo sentir com violência intolerável a dor própria. A dor só pode suportar-se tornando-a comum e compartilhando-a com os outr...

É Preciso Procurar uma Só Coisa para Encontrar Muitas (6)

Desaparecido o fervor de uma monomania, falta uma ideia central para dar significado aos momentos interiores esparsos. Em suma, quanto mais o espírito está absorvido por um humor dominante, mais a pa...

O Rápido Passar do Tempo é Sinal de Inactividade (7)

O ócio torna lentas as horas e velozes os anos. A actividade torna rápida as horas e lentos os anos. A infância é a actividade máxima, porque ocupada em descobrir o mundo na sua diversidade.
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O Respeito Humano é Mais Forte do que a Consciência (8)

Todos sabemos ter pensamentos maus, mas muito raramente praticar acções más. Todos sabemos praticar boas acções, mas poucos são capazes de bons pensamentos.
O respeito humano é mais forte do ...

Os Práticos e os Contemplativos (9)

Têm sentido de humor os que têm sentido prático. Quem descuida a vida, embevecido numa ingénua contemplação (e todas as contemplações são ingénuas), não vê as coisas com desprendimento, dotada...

Apenas nas Crises Atingimos as Nossas Profundezas (10)

Tudo o que o nosso corpo faz, excepto o exercício dos sentidos, escapa à nossa percepção. Não damos conta das funções mais vitais (circulação, digestão, etc.). O mesmo se passa com o espírito: ignora...

Desarmar e Esgotar o Sofrimento (11)

A literatura é uma defesa contra as ofensas da vida. A primeira diz à segunda: «Não me levas à certa; sei como te comportas, sigo-te e prevejo-te, gozo até ao ver-te agir, e roubo-te o segredo ao rec...

Sofrer Para Nada Serve (12)

Porque esquecemos os mortos? Porque já não têm préstimo.
Esquecemos, repudiamos uma pessoa triste ou doente, em virtude da sua inutilidade psíquica ou física.
Ninguém se abandonará a ...

Dar Significado ao Tempo (13)

Um dos prazeres humanos menos observados é o de preparar acontecimentos à distância, de organizar um grupo de acontecimentos que tenham uma construção, uma lógica, um começo e um fim. Este é quase se...

As Desvantagens das Nossas Paixões (14)

Quanto mais um homem se emaranha numa paixão, tanto mais os acontecimentos, em si indiferentes, se traduzem para ele em dor, enganando justamente, pela sua indiferença, a avidez tensa em que esse hom...

O Paradoxo da Sociedade totalmente Livre (15)

A pessoa ou instituição que encarregamos de nos tornar felizes têm o direito de se queixarem se lhes recordarmos que, apesar de tudo, continuamos livres e senhores de recalcitrar. Tudo o que não c...

A Desventura Máxima é a Solidão (16)

A desventura máxima é a solidão. É tão verdade que o reconforto supremo - a religião - consiste em encontrar uma companhia que nunca falhe - Deus. A oração é um desabafo, como com um amigo. A obra eq...

Todos os Prazeres Terminam pelo Enfartamento (17)

Como o que o homem procura nos prazeres é um infinito, e como ninguém será jamais capaz de renunciar à esperança de atingir esse infinito, sucede, portanto, que todos os prazeres terminam pelo...

Existir Eficazmente (18)

Esta necessidade de estar só, de não sentir que te pedem seja o que for, que te separam de ti próprio. Este horror a que tenham o mínimo direito sobre ti, de que to façam sentir... Esta evidente impe...

A Ira Nunca é Súbita (19)

A ira nunca é súbita. Nasce de um longo roer precedente, que ulcerou o espírito e nele acumulou a força reactiva necessária para a explosão. Daqui resulta que um belo acesso de cólera não é, de fo...

A Arte de Viver (20)

A arte de viver - dado que para viver é preciso fazer sofrer os outros (ver vida sexual, ver comércio, ver qualquer actividade) - consiste em habituarmo-nos a fazer todas as patifarias sem abalar o n...
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