Pedro Chagas Freitas

Portugal
n. 25 Set 1979
escritor

Amar Demais

A alegria genuína de duas crianças que brincam. Tão grande que nem o pensamento a inibe. E a alegria genuína de dois adultos que amam. Tão grande que nem o medo a inibe. Só o que é grande demais não encolhe. Só amar é tão grande como o que não acaba. As crianças brincam e saltam e gritam. E tudo aquilo - o brincar, o saltar, o gritar - vale por tudo o que é: tudo aquilo é tudo o que é. Sem que pensem no que vem depois, sem que pensem que tudo - sobretudo aquilo que agora as conquista e as arrebata - vai acabar. Só o que é curto demais, tão curto que parece sempre de menos, é eterno. Só o que acaba cedo demais é eterno. E amar-te, meu amor, é sempre cedo demais. E depois, quando acaba, é sempre tarde demais. Amar-te, meu amor, é sempre demais. Só o que não conseguimos segurar nos segura.

Pedro Chagas Freitas, in 'Queres Casar Comigo Todos os Dias, Bárbara?'




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