Jean-Arthur Rimbaud

França
20 Out 1854 // 10 Nov 1891
Poeta

Anoitecer Histórico

Em qualquer anoitecer, por exemplo, que o turista crédulo descubra retirado dos nossos horrores económicos, a mão de um mestre anima o clavicórdio dos prados; joga-se às cartas no fundo do lago, espelho evocativo das rainhas e das favoritas; há as santas, os véus, e os fios de harmonia, e os cromatismos lendários, sobre o poente.
Estremece à passagem das caçadas e das hordas. A comédia merenda nos tablados de relva. E o embaraço dos pobres e dos fracos sobre estes planos estúpidos!
Na sua visão escrava —, a Alemanha alcandora-se subindo para luas; os desertos tártaros iluminam-se — as revoltas antigas pululam no centro do Celeste Império, pelas escadas e os cadeirões de rocha - um pequeno mundo pálido e raso, África e Ocidentes, vai edificar-se. Depois um bailado de mares e de noites conhecidas, uma química sem valor, e melodias impossíveis.
A mesma magia burguesa em todos os pontos onde nos deporá a mala! O físico mais elementar sente que já não é possível a submissão a esta atmosfera pessoal, bruma de remorsos físicos, cuja constatação é já uma aflição.
Não! - O momento dos balneários, dos mares sequestrados, dos incêndios subterrâneos, do planeta arrebatado, e dos extermínios consequentes, certezas bem pouco malignamente indicadas na bíblia e pelas Nomas e que será ao ser sério dado vigiar. - Não será todavia um efeito de lenda!

Jean-Arthur Rimbaud, in 'Obra Completa'




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