Augusto Cury

Brasil
n. 2 Out 1958
Psiquiatra/Escritor

Casais Empáticos

Casais empáticos são acolhedores, o amor entre eles é um manancial de generosidade, um oásis de tranquilidade, pois julgam menos e apostam mais. Ainda que vivam em casas apertadas, constroem um ambiente emocional espaçoso e inspirador. Casais egocêntricos são uma fonte de atrito e de discórdias. Ainda que vivam em casas enormes, falta-lhes oxigénio para respirar, pois passam o tempo a julgar e a criticar-se um ao outro. São especialistas em fechar o circuito da memória do cônjuge e dos filhos.
Casais empáticos, por falarem sobre as suas perdas e frustrações, promovem e desenvolvem a resiliência, que é a capacidade de enfrentar contrariedades e crescer perante a dor. Casais egocêntricos, pelo contrário, por se calarem sobre as suas histórias, geram filhos frágeis, ainda que agressivos; tímidos, ainda que faladores dentro de casa; consumidores de bens, mas não de ideias. Despreparam-nos para ter resiliência, para compreender que não há céu sem tempestades. (...) Contribuem para formar filhos ansiosos, insatisfeitos, que protestam sobre tudo, que vivem à sombra dos pais.

Casais empáticos preocupam-se com o presente e o futuro socioemocional do seu parceiro ou parceira e dos seus filhos e alunos. Por pensarem antes de agir, ensinam as pessoas que amam a não ser impulsivas e imediatistas, mas pacientes e disciplinadas. Por aprenderem a expor e não a impor as ideias, ensinam a não ter a necessidade neurótica de controlar os outros, mas a ter prazer cm servi-los e enriquecê-los.

Casais egocêntricos não sabem posicionar-se no lugar do outro. São incapazes de olhar o cônjuge com os olhos dele e descobrir o que está por trás dos comportamentos que desaprovam. São juízes e não amantes.

Uma pessoa empática não substitui as pessoas que ama por novelas, videojogos, Internet, telemóveis, bares. Tem-nas em altíssima conta, por isso estão sempre a fazer planos de ficar, viajar e ter atividades juntas. E o leitor? Quando chega a casa promove um ambiente acolhedor e aprazível? As pessoas que ama são a sua prioridade ou estão em segundo plano? Seres humanos empáticos são altruístas, equilibrados e proativos. E por serem proativos vêm à superfície das relações e perguntam com frequência ao seu parceiro: «O que posso fazer para te ajudar a ser mais feliz?», «Que medos e pesadelos te assombram que eu desconheço?», «Conta comigo sem receios, estou aqui para te compreender e não para te julgar». Eles surpreendem e encantam o parceiro. Por isso, são capazes de dizer frequentemente: «Obrigado por existires!» Refletem-se no outro de forma poderosa.

Ser empático é dar um ombro para chorar e outro para apoiar. Uma pessoa empática é a primeira a estender as mãos e a última a criticar. Ser empático, portanto, é uma ferramenta socioemocional vital na formação de relações saudáveis, felizes e realizadas e vale uma medalha de ouro.

Augusto Cury, in 'As Regras de Ouro dos Casais Saudáveis'




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