Jean-Arthur Rimbaud

França
20 Out 1854 // 10 Nov 1891
Poeta

Cidade

Sou um efémero e não demasiado descontente cidadão de uma metrópole tida por moderna porque elude qualquer gosto conhecido tanto nos recheios e no exterior das casas como no plano da cidade. Aqui não detectaríeis os traços de algum monumento de superstição. A moral e a língua estão reduzidas à sua expressão mais simples, finalmente! Estes milhões de pessoas que não têm necessidade de se conhecer conduzem tão igualmente a educação, o ofício e a velhice, que o curso da sua vida deve ser várias vezes menos longo do que o descoberto por uma estatística louca para os povos do continente. Da mesma maneira que, da minha janela, vejo espectros novos rolando através do espesso e eterno fumo de carvão — nossa sombra dos bosques, nossa noite de Verão! —, novas Erínias, diante do meu cottage que é a minha pátria e todo o meu coração uma vez que tudo aqui a tal se assemelha —, a Morte sem lágrimas, nossa activa filha e criada, um Amor desesperado, e um lindo Crime que pia na lama da rua.

Jean-Arthur Rimbaud, in 'Obra Completa'




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