José Luís Nunes Martins

Portugal
n. 14 Mar 1971
Filósofo

Demasiado Atarefado para te Ocupares da tua Vida?

Há muitas pessoas que vivem de costas voltadas para a sua vida, nem consigo mesmas conseguem falar. Sobrevivem. Não têm tempo para lutar por si mesmas, pelos seus sonhos, perdendo‑se em tantos trabalhos que julgam ser mais importantes, mas que, afinal, não prestam para nada.
A verdade é que o tempo passa mais depressa para os desatentos. A vida vai‑nos provando que não há sonhos impossíveis, apenas sonhadores que não querem deixar de o ser, são preguiçosos, preferem apenas suspirar em vez de se pôr a caminho.
Não sabemos quanto tempo temos, pelo que julgar que será muito é tão imprudente quanto considerar que a nossa vida terminará hoje. E esta dúvida não é má. A falta de certezas é sinal de que há mistérios que se podem revelar excelentes surpresas.
Há quem passe o tempo no passado, perdendo ‑se no que passou... nos ontens que viveu e nos que não teve, mas que gostava de ter tido. Alguns chegam a dar conta do tempo que desperdiçaram, mas não aprendem.
Também há aqueles que pairam em futuros longínquos, perdendo‑se em realidades que, longe no tempo e na realidade, não são nada ainda e poderão nunca chegar a ser. É comum sonhar‑se que tudo aparece feito sem termos de fazer nada. Afinal, dizem, se é para sonhar, que se sonhe em grande! Pobres que não sabem sequer que boa parte da felicidade tem de ser fruto das nossas mãos.
São muitos os homens e mulheres que nunca mais foram nada desde que foram crianças e quiseram deixar de o ser...
Quem não tem tempo para a sua vida está morto, apesar das aparências.

José Luís Nunes Martins, in 'As Obras do Amor'




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