Gustavo Santos

Portugal
n. 27 Mai 1977
Life Coach

É Preciso Viver-se com Paixão

A paixão é o mote, a ausência dela é a morte. A paixão é o sentido e os sentidos, a ausência dela é o inadmitido e os proibidos. A paixão é, a ausência dela não. Já te questionaste, por exemplo, sobre a relação amorosa que tens ou sobre as relações fugazes que vais tendo? Encontras pontos de paixão recentes na primeira? Justificas a segunda pelos sismos de emoções que experiencias?
Se na primeira a tua resposta tiver sido «Sim», quero que saibas que fico muito orgulhoso de ti, tanto quanto o tempo que já levas de relação, pois revelas uma enorme sede de viver.
Se a tua resposta tiver sido um redondo «Não», pergunto-te eu: o que é que ainda estás a fazer com essa pessoa?
Na minha vida, sempre que a paixão desaparece eu mudo. Mudo de pessoas, mudo de trabalho, mudo de lugar, mudo de “hobbie”, mudo tudo. É preciso viver-se com paixão, pois não se vive de outra forma. Seguindo o exemplo que te estava a dar, todas as minhas relações acabaram quando a paixão findou. Não faço fretes, não posso ter medo de magoar a outra pessoa nem me posso obrigar a estar com alguém com a qual não me sinto eu. Mais, foi precisamente por sempre escolher libertar-me que hoje me assumo, verdadeiramente, como um homem apaixonado. É essa a minha matriz. Quando um relacionamento acaba é porque pelo menos uma das pessoas se encontra desgastada pela erosão da não-paixão, e nesse sentido o término significa uma nova oportunidade de os dois voltarem a sentir. Existirá melhor escolha que essa?
Podemos focar-nos no medo de magoar os outros e naquilo que os demais irão pensar ou podemos focar-nos na oportunidade que estamos a dar a ambos e naquilo que verdadeiramente desejamos. Diferentes significados geram diferentes vidas e para mim nada é mais importante que a minha felicidade, pois só eu sei o que lutei para atingir esse estado. Em relação à segunda questão de que te falei, se justificas as relações fugazes pelos abalos de emoções que vives, acho que fazes lindamente. O importante é sentir e se encontrares alguém que queira viver um «Agora» como tu, dispam-se e brinquem aos médicos as vezes que forem suficientes. Na vida vale tudo menos perturbar a nossa consciência e magoar intencionalmente os outros. Somos livres de escolher e eu escolho ser apaixonado. O exemplo que te dei pode, naturalmente, estender-se aos mais variados níveis e extratos da tua vida. Como te disse, também mudo de profissão consoante o que sinto, ou seja, não fico agarrado a que trabalho for só porque me dá xis por mês. Afinal, de que vale ganhar o pão se não tenho qualquer prazer em comê-lo? Relativamente aos bobbies e aos lugares passa-se o mesmo. Se deixo de sentir, deixo de fazer e deixo de ir. Troco. O que não falta nesta vida, se estivermos despertos, são focos de paixão. Basta sair do sofá para vê-los brotar em cada sorriso e em todas as esquinas.
Naturalmente, e há que salientar isto, não nos é possível viver apaixonados durante vinte e quatro horas por dia. Ainda bem, porque se o fosse, e como em tudo na vida, perderíamos o interesse, pois o «dar como adquirido» é fruto da mente, logo, e futuramente, sinónimo de desprezo.

Gustavo Santos, in 'Agarra o Agora'




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