Pedro Chagas Freitas

Portugal
n. 25 Set 1979
Escritor

Que Nunca as Costas se Abdiquem de Ceder

Que nunca as costas se abdiquem de ceder, pois é apenas assim que me aprendo a erguer.
Que todos percebam que vale a pena ouvir, que todos entendam que não há mal em cair.
Mas que ninguém se vergue ao tem de ser, que não haja conforto em nenhum perder.
Mas que ninguém pare antes de chegar, que não haja um desistir antes de um tentar.
E que as pessoas se queiram todos os dias, e que exijas hoje o que ontem querias.
E que as crianças sejam abraços a crescer, e que os velhos sejam os bebés que ensinam a viver.
E que exista um amo-te a cada esquina, e que se diga um adoro-te que a sorrir se ensina – e que o império do dinheiro seja a suja latrina.
E que não haja mandados nem mandadores, e que não haja humilhados nem humilhadores – e que os cabrões que roubam sejam simples actores.
Mas que toda a justiça tenha costas de aço, que todo o meu destino venha daquilo que faço.
Mas que nunca o orgasmo seja uma raridade, que o som dos gemidos ecoe por toda a cidade.
Que para cada Adeus haja mil olás, que para cada desculpa-me haja o amor que se faz.
Que para cada saudade haja mil exaltações, que para cada frieza haja um milhão de vulcões.
Que nunca as costas se abdiquem de ceder, pois é apenas assim que me aprendo a erguer.

Pedro Chagas Freitas, in 'Prometo Perder'




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