Jean-Arthur Rimbaud

França
20 Out 1854 // 10 Nov 1891
Poeta

Ser Poeta

O primeiro estudo do homem que quer ser poeta é o conhecimento de si próprio, inteiro; ele vasculha a sua alma, inspecciona-a, sonda-a, aprende-a. A partir do momento em que a conhece, deve cultivá-la; isto parece simples: em todos os cérebros dá-se um desenvolvimento natural; tantos egoístas se proclamam autores; muitos outros há que atribuem a si mesmos o seu progresso intelectual! — Mas é preciso tornar a alma monstruosa: à semelhança dos comprachicos, pois bem?! Imagine um homem que implanta e cultiva verrugas na cara.
Digo que é preciso ser-se vidente, tornar-se vidente.

O poeta torna-se vidente através de um longo, imenso e ponderado desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; ele procura-se a si mesmo, ele esgota em si todos os venenos para ficar apenas com as quintessências. Inefável tortura para a qual ele precisa de toda a fé, de toda a força sobre-humana, através da qual ele se torna entre todos o grande demente, o grande criminoso, o grande maldito — e o Sábio supremo! - Porque ele alcançou o desconhecido! Porque ele cultivou a sua alma, já de si rica, mais do que ninguém! Ele alcança o desconhecido, e quando, aterrorizado, acabar por perder a inteligência das suas visões, ele tê-las-á visto! Que ele rebente no seu salto pelas coisas inauditas e infindáveis: outros horríveis trabalhadores virão; e começarão pelos horizontes nos quais o outro vergou!

Jean-Arthur Rimbaud, in 'Obra Completa'




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