José Luís Nunes Martins

Portugal
n. 14 Mar 1971
Filósofo

Sermos Humildes

Sermos humildes passa por reconhecermos a nossa condição de pobres, não só do ponto de vista material, mas sobretudo quanto à enorme distância que nos separa da nossa própria perfeição. Daquilo que podemos ser, mas não somos. Ser humilde é saber aceitar a grandeza do outro. Reconhecer-lhe o seu valor, sem comparações.
Só é grande quem se sabe e se faz pequeno. Quem quer ser melhor liberta-se do enorme peso das coisas deste mundo. Ter mais é, tantas vezes, o sonho que afunda e afoga os que se procuram esquecer de si mesmos. É essencial que nos aceitemos, com todas as nossas circunstâncias. Que nos saibamos reconhecer tal como somos, e que, a partir daí, façamos o que estiver ao nosso alcance para nos aperfeiçoarmos.
Aceitar aquilo que o outro nos quer dar, reconhecendo todo o valor dos seus gestos, é essencial para que nos possamos purificar das vontades, que por vezes nos assolam, de querermos o que os outros têm, de sermos o que os outros aparentam ser... quando, na verdade, a paz que buscamos está dentro de nós. De nada vale procurá-la em qualquer outro lugar.
É dando que se recebe. O caminho para a felicidade é o amor de que formos capazes.
Irmos ao encontro de quem vive longe dos nossos costumes e padrões, prover às suas necessidades, será algo que fará tanto bem a quem dá como a quem recebe.
A gratidão, não importa de quão pouco, é sempre um tesouro.
Começar uma longa caminhada com um gesto simples de gratidão é o reconhecimento de que somos terra. Pó de pouca importância. É bom conhecer os nossos próprios limites e as nossas insuficiências. Afinal, temos uma vida curta, mas cheia de misérias.
O orgulho, a arrogância e a vaidade são sinais de fraqueza. Nada temos que não nos tenha sido dado. Não faz sentido que nos glorifiquemos, como se algo fosse nosso desde o princípio ou desde sempre.
Humildade não é servilismo, muito menos resignação. É compreensão e paciência. É força para nos erguermos com calma, paz e firmeza.
O amor exige uma entrega radical. Desapegar-se de si mesmo é deixar o egoísmo para trás e seguir rumo ao melhor de nós.

José Luís Nunes Martins, in 'O Rosário para Crentes e Não-Crentes'




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