Khalil Gibran

Líbano
6 Jan 1883 // 10 Abr 1931
Ensaísta/Filósofo/Poeta

Uma Hora Dedicada à Beleza e ao Amor

Uma hora dedicada à busca da beleza e do amor vale um século inteiro de glória dado aos fortes pelos fracos amedrontados.
Desta hora vem a verdade da Humanidade. E durante aquele século, a verdade dorme entre os braços inquietos de sonhos perturbadores.
Nesta hora, a alma vê por si mesma a lei natural e, naquele século, aprisiona-se a si mesma atrás das leis da Humanidade e é acorrentada com os grilhões da opressão.
Esta hora foi a inspiração das Canções de Salomão e aquele século foi o poder cego que destruiu o templo de Baalbek.
Esta hora foi o nascimento do Sermão da Montanha e aquele século destruiu os castelos de Palmira e a Torre de Babel.
Esta hora foi a Hégira de Maomé e aquele século esqueceu Alá, o Gólgota e o Sinai.
Uma hora dedicada a lamentar e a chorar a igualdade roubada aos fracos é mais nobre do que um século cheio de ganância e usurpação.
É nesta hora que o coração é purificado pela tristeza ardente e iluminado pela tocha do amor.
E é naquele século que os desejos de verdade são enterrados fundo na terra.
Esta hora é a raiz que deve florescer.
Esta hora é a hora da contemplação, a hora da oração e a hora de uma nova era do Bem.
E aquele século é uma vida de Nero, gasta em auto-comprazimento com base apenas na substância terrena.
Esta é a vida - retratada no palco durante muitas eras, registada na Terra durante séculos, vivida em estranheza durante anos, cantada como um hino durante dias, exaltada apenas por uma hora - mas esta hora é valorizada por toda a eternidade como uma joia.

Khalil Gibran, in 'O Livro da Vida'




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