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Alexandre Brandão da Veiga

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O que é a exigência? É reconhecer que o que se é não chega, o que os outros são não chega e que sobretudo o simples facto de se ser como se é não é brasão. O paradigma da exigência é o da nobre glória. Não basta ser rei da Macedónia, não basta ser general de Roma, não basta ser escrevinhador de folhetins, não basta ser um artífice médio. Não me basto, não me bastam os outros só pelo simples facto de as coisas estarem como estão. A exigência é sempre um exercício de liberdade e imaginação. Comparo o que existe com o que poderia existir. E de esforço. Tento atingir o que deveria existir. Se ignoro, se sou inepto, se não dou felicidade aos outros, algo corre mal em mim. Se os outros erram, se são diminutos, algo está mal neles. O espaço da desculpa é um mundo sem liberdade, sem imaginação e sem esforço. O exigente não vive sem transcendência. O desculpante faz tudo para a minar. A sua ambição é ser desculpado. A desculpa é assim a arma preferida a usar contra a transcendência.

Jornal de Negócios / 20061109




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