Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco

Portugal
16 Mar 1825 // 1 Jun 1890
Escritor

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O amor de um homem é um incenso que desce para o chão, quando o ídolo é de barro.

Mistérios de Lisboa
O que posso vaticinar-lhe é que a mulher das suas primeiras afeições há-de salvá-lo ou perdê-lo. Há-de fazê-lo recuar à inocência dos seus primeiros anos, ao suave perfume dos seus desejos imaculados, ou, de um lance de olhos, mostrar-lhe todas as torpezas, e, de um só impulso, atirá-lo a todos os abismos.

Mistérios de Lisboa
Já vês que o casamento é um contrato politico, civil, económico, e higiénico até certo ponto. Enquanto gostei da minha mulher, gostei; depois que a vi muitas vezes sempre com a mesma cara, com a mesma cintura, e com a mesma mão e pé, que me fizeram endoidecer de enthusiasmo, desejei que ela tivesse uma grande mão, um pé inglês, uma cara saloia, e uma cintura mais larga que as espáduas. Como a estátua não se transfigurava, detestei-a... não digo bem... não a detestei como um belo traste dos meus aposentos, mas sim como excrescência matrimonial à minha vida. (...) A mulher com quem se casa é de todas as mulheres aquela com quem menos se casa.

Mistérios de Lisboa
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Se ela tivesse dito torrentes de eloquência, amava-a naturalmente pelo espírito. Como não disse nada, amava-a pelo silêncio. O coração do homem é como o paladar dos pobres: tudo lhes sabe a comer.

Mistérios de Lisboa
Tenho sido muito curioso em reparar na maneira como se vestem alguns homens, que pretendem distinguir-se na sociedade, seja pelo que fôr. Tive sempre para mim que a primeira condição de um homem banal, e sincerameute tolo, é o cuidado com que ele compõe a gola do seu casaco, de modo que não discrepe uma linha do talhe que o alfaiate lhe deu. Ha aí muita frivolidade nesse espirito, que se considera tanto mais sublime, quanto pode manter-se direito entre os colarinhos da camisa, e verticalmente equilibrado entre as duas asas do laço da sua gravata.

Mistérios de Lisboa

Dor

Há dores silenciosas, que nos incutem respeito, quando o que as sofre nos não pede compaixão para elas.

Mistérios de Lisboa
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As lágrimas são o continuado viver de algumas vidas, e, se não fossem relevadas uma a uma, a biografia dessas existencias seria monótona, e fria. Até para as lagrimas é preciso o método...

Mistérios de Lisboa
As saudades que de ti me angustiavam aniquilaram-me o espírito e o corpo. Estou doente; nem o punho pode menear uma pena, que te retrate o que é martírio incomportável no coração do homem, que com lagrimas te escrevera. (...) Se não queres que a morte despedace estes vínculos sagrados, vem como o anjo da vida sentar-te à cabeceira do moribundo.

Anátema
Eu sou escravo do coração: é este que me fala em nome de um anjo, e me promete uma felicidade, que nem eu sei concebê-la... é um sonho o teu amor.

Anátema
A mulher que nasceu boa do coração e cresceu com as suas ilusões innocentes, quando o homem lhe aparece por detrás dos seus sonhos, exala, como a flor de abril, os perfumes da sua candura, abre-se ao sol do amor com todo o viço da sua generosa afeição, e, como a flor de abril, morre na manhã dos seus amores, queimada por um raio desse sol que lhe fecundara no seio a esperança florida dos afectos puros.

Anátema
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