A moral é um erro útil, mais explícito do que muitos outros, por ter parecido aos maiores e mais livres promotores dela que uma mentira assim era mesmo necessária.
Se é verdade que coisas há que nos são desconhecidas, verdade é também que o Homem nos é desconhecido. A que correspondem então «aprovação» e «reprovação»?
Como a ilusão da espécie, a moral força o indivíduo a sacrificar-se pelo futuro: atribui-lhe, aparentemente, um valor infinito, para que, com a consciência do seu valor, tiranize as outras tendências da sua natureza, o subjugue e o impeça de estar satisfeito consigo.
A moral é a teoria da hierarquia entre os homens e, por consequência, também do valor dos seus actos e das suas obras, em referência a essa hierarquia. Ela é pois a teoria dos juízos humanos de valor relativos a tudo o que é humano.
Toda a moral consiste na glorificação de si mesmo. Há até uma espécie de homens que se comprazem com o que são e com a forma como vivem e chegam a afastar a influência de homens de «raça» diferente, que sentem inferior à deles.
Tenho por primeiro princípio: não há fenómenos morais, mas sim uma interpretação moral desses fenómenos. Essa mesma interpretação não é, por si, de origem moral.
É preciso ser-se imoral para pôr a moral em acção. Os meios dos moralistas são os meios mais asquerosos que alguma vez foram usados. Quem não tiver a coragem de ser imoral, pode até servir para tudo, excepto dar em moralista.
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