É mais por orgulho que por falta de luzes que nos opomos com tanta teimosia às opiniões mais correntes; como os primeiros lugares no bom partido já estão ocupados, também não queremos os últimos.
Nada lisonjeia mais o nosso orgulho que a confiança dos grandes, porque a olhamos como uma consequência do nosso mérito, sem pensar que, na maior parte das vezes, se deve à vaidade ou à incapacidade de guardar um segredo.
A humildade não é mais que uma falsa submissão de que nos servimos para submeter os outros; é um artifício do orgulho, que se rebaixa para melhor se elevar. E, apesar de se transformar de mil maneiras, nunca se disfarça tão bem nem engana tão eficazmente como quando se esconde sob a capa da humildade.
Engana-se quem pensa que só as paixões violentas como a ambição e o amor triunfam sobre as outras. A preguiça, por lânguida que seja, nem por isso deixa de se impor; sobrepõe-se a todos os desígnios e a todas as acções da nossa vida; destrói e consome insensivelmente as paixões e as virtudes.
A moderação não pode ter o mérito de combater a ambição nem de a submeter; elas nunca andam juntas. A moderação é a languidez e a preguiça da alma, tal como a ambição é a sua actividade e o seu ardor.
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