O espírito afeiçoa-se por preguiça e por constância àquilo que lhe é fácil ou agradável. Este hábito limita sempre o nosso conhecimento e nunca ninguém se deu ao trabalho de engrandecer e de levar o seu espírito tão longe quanto ele poderia ir.
A calma ou a agitação do nosso humor não depende tanto do que nos acontece de mais importante na vida, como da disposição cómoda ou desagradável das pequenas coisas que nos acontecem todos os dias.
O homem vive de ilusão. É o pão nosso de cada hora. As almas sobem como o fumo; a busca do ideal é a fuga aos desgostos da vida real, quando menos bem compreendida; é um instinto de defesa, que solicita o homem a robustecer-se com nobres visualidades; é, enfim, o progresso espiritual e moral da consciência. A ilusão é fecunda.
O homem invisível é uma metáfora de todas as coisas impossíveis com que sonhamos: a felicidade, o amor, o saber que nos escapa. Entre o próximo e o longínquo está o prazer que se experimenta num instante supremo mas essa plenitude está fora do nosso campo visual.
Se o mundo não conhece um longo período de idealismo, de espiritualismo, de virtudes cívicas e morais, não me parece que seja possível ultrapassar as dificuldades do nosso tempo.
Sou solitário por natureza. No nosso tempo, onde a promiscuidade começa na família, apenas a solidão nos permite ser semelhante ao pássaro de S. João da Cruz: nos cimos cantar sem alvoroço, virado para onde sopra o espírito da terra.
O privilégio de se ser uma vítima do nosso sentimento de superioridade, é difícil de suportar. Assusta muita gente, parece uma heresia em tempos como os nossos. E, no entanto, é fundamental, para que uma obra seja feita.
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