Esse dom de observação que se chama conhecimento do mundo, vereis que na maior parte dos casos serve para tornar os homens astutos e não propriamente para os tornar bons.
Pensamentos valem e vivem pela observação exacta ou nova, pela reflexão aguda ou profunda; não menos querem a originalidade, a simplicidade e a graça do dizer.
A observação do Outro: a diferença é o que nos une e separa. Quando o eu descobre o outro começa a guerrilha sem fim. O nó que se faz-desfaz. A escolha: o gelo da solidão ou a horrível queimadura da vida.
«Mas depois ele voltou ao trabalho como se nada tivesse acontecido». Essa é uma observação que nos é familiar de uma profusão de velhas histórias, muito embora talvez não tenha acontecido em nenhuma delas.
A observação de ontem. A situação que mais se coaduna comigo: ouvir a conversa de duas pessoas que estão a discutir um assunto que as toca profundamente enquanto eu tenho apenas um interesse muito remoto no assunto, que além disso é completamente altruísta.
Sempre com mais medo ao escrever. É incompreensível. Cada palavra torcida nas mãos dos espíritos – este torcer de mãos é o seu gesto característico – torna-se numa lança que se volta contra o orador. Muito especialmente uma observação como esta. E assim «ad infinitum». A única consolação seria: acontece quer gostes quer não. E o que gostas não serve de nada. Mais do que consolação: também tu tens armas.
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