A sinceridade em si é uma coisa que não passa pelas palavras mais óbvias. Pode dizer-se a verdade a mentir. Ser sincero é tentar dizer as coisas na sua globalidade e ao fazer isso estamos a mudar qualquer coisa.
A forma e o conteúdo são indissociáveis e a qualquer livro que não tome isso em consideração falta uma noção fundamental da literatura. Se a forma não servir o conteúdo não me interessa, se por outro lado a forma for uma sucessão de malabarismos literários sem nenhum outro propósito também não me interessa.
Sou um escritor atípico. Só escrevo porque tenho ideias. Sentar-me a pensar que tenho que inventar uma história para escrever um livro nunca me aconteceu e nunca me acontecerá. Necessito de algo que me sacuda por dentro e que se me agarre com força para que eu entenda que ali há qualquer coisa para contar.
A perfeição humana e a perfeição técnica são incompatíveis. Se lutarmos por uma, temos que sacrificar a outra: existe, em qualquer caso, uma ruptura de caminhos. Quem conseguir compreender isso irá fazer um trabalho mais limpo quer num caminho que no outro.
A vida é dolorosa e desapontante. Não tem qualquer utilidade, por isso, escrever romances realistas. Nós em geral sabemos onde estamos em relação à realidade e não queremos saber mais nada sobre ela.
Podemos reprovar-nos a nós próprios por alguma acção, por alguma observação, mas não por um sentimento, simplesmente porque não temos qualquer controle sobre ele.
Hoje, ser-se egoísta é quase uma coisa boa - chega a ser elogiado como condição necessária - enquanto se vai tornando impossível ou, de qualquer modo, indecorosa, a maior das qualidades humanas, que é o altruísmo.
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