A incomunicabilidade de si para si mesmo é o grande vórtice do nada. Se eu não acho um modo de falar a mim mesmo a palavra me sufoca a garganta atravessando-a como uma pedra não deglutida. Eu quero ter acesso a mim mesmo na hora em que eu quiser como quem abre as portas e entra. Não quero ser vítima do acaso libertador.
O artista de agora, se quiser persistir, tem de ser um homem de acção. — Mas que acção? Ajudar a construir um mundo que o nega? Ajudar a destruir um mundo onde ele próprio já não vive? A acção dum artista é fazer a sua obra.
Eu não sou de ninguém!... Quem me quiser há-de ser luz do Sol em tardes quentes... Há-de ser Outro e outro num momento! Força viva, brutal, em movimento, astro arrastando catadupas de astros!
É isto o amor. É preciso saber vivê-lo e depois saber doá-lo. Quem o quer exclusivamente para si não sente amor, mas posse, e o amor não se consegue possuir. É impossível. Ele é livre como uma andorinha e quem o quiser agarrar nunca saberá o que ele é.
Se não quiser gerar dor para si e para os outros, se já não pretender fazer crescer o remanescente de dores passadas que ainda vive em si, então não crie mais tempo ou pelo menos não mais do que aquele que é necessário para lidar com os aspectos práticos da vida.
Sempre que você quiser conseguir alguma coisa, mantenha os olhos abertos, concentre-se, e saiba exactamente o que deseja. Ninguém atinge o seu alvo com os olhos fechados.
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