Precisando um príncipe de saber usar bem o animal, deve tomar como exemplo a raposa e o leão; pois o leão não é capaz de se defender das armadilhas, assim como a raposa não se sabe defender dos lobos. Deve, portanto, ser raposa para conhecer as armadilhas e leão para espantar os lobos.
É um grande erro falar das coisas do mundo indistintamente e de forma absoluta e, por assim dizer, tentando forçosamente enquadrá-las numa regra universal; pois quase todas têm distinção e excepção pela variedade das circunstâncias que não podem ser reduzidas a uma mesma medida: e essas distinções e excepções não se encontram escritas nos livros, mas precisam de ser ensinadas pela capacidade de discernir caso a caso.
Quanto se enganam aqueles que a cada palavra citam o exemplo dos romanos! Seria necessário existir uma cidade organizada como era a deles e depois ser governada segundo o seu exemplo; para aqueles que se encontram noutra situação e com qualidades bem diferentes, tal facto é tão desproporcionado quanto seria o de querer que um asno corresse como um cavalo.
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