Nós nunca temos mais do que uma virtude. Ou nenhuma. O triunfo sobre si próprio e todas as virtudes não têm qualquer sentido se não se tornarem meios de formarem em nós a força dominante.
Não se conhecer a si mesmo revela a prudência do idealista: uma pessoa que tem razões para não se ver claramente a si própria e que é assaz inteligente para não esclarecer as suas próprias razões.
Uma doutrina que seja doce para com os que têm fé nela não contém inferno nem ameaças. Os que não têm fé, esses apenas sentirão em si uma vida fugidia.
Toda a moral consiste na glorificação de si mesmo. Há até uma espécie de homens que se comprazem com o que são e com a forma como vivem e chegam a afastar a influência de homens de «raça» diferente, que sentem inferior à deles.
A avaliação moral teve como consequência obliterar gravemente o juízo: o valor do homem em si é depreciado e quase ignorado. Persiste uma teologia simplista: o valor de um homem é apreciado unicamente em função dos homens.
Quem tem a consciência de que é alto e o afirma a si próprio e aos outros com orgulho, efectivamente não o é, porque nem sabe o que é ser alto; que noção poderá ter de altura o que só olha para baixo?
Tudo vence uma vontade obstinada, todos os obstáculos abate o homem que integrou na sua vida o fim a atingir e que está disposto a todos os sacrifícios para cumprir a missão que a si próprio se impôs.
É a posse mais terrível de todas, a escravatura mais completa, aquela que uma obra exerce sobre o seu criador. (...) Se você for um criador não dará a felicidade nem a si nem aos que estão imediatamente à sua volta.
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