Quando o sábio nos ofende, o seu arrependimento sincero deve satisfazer-nos; se o que nos ofende é um néscio, mais néscios ainda somos vingando a ofensa.
A sinceridade em si é uma coisa que não passa pelas palavras mais óbvias. Pode dizer-se a verdade a mentir. Ser sincero é tentar dizer as coisas na sua globalidade e ao fazer isso estamos a mudar qualquer coisa.
Não se pode ser nem mole nem inconstante nas amizades e inimizades. É preciso ser-se sincero e malcriado. É preciso dizer-se «Eu não gosto de si». É preciso dizer-se «Você é um verme». Os inimigos são mais fáceis de criar que os amigos e às vezes são mais úteis e dão-nos maior satisfação.
Se me conhecesse, saberia que sou sincero na conversa normal e humana; porém a conversa normal e humana não existe por escrito excepto nos que não sabem escrever.
A sinceridade jamais pode ser a razão para magoar alguém. Ser sincero é também saber escolher o que dizer e o que calar. Não devemos dizer tudo quanto pensamos, mais ainda se não o tivermos pensado com honestidade e inteligência. O silêncio é parte essencial da verdade e da sinceridade.
São muitos os que já tarde percebem que a felicidade está no sorriso sincero que podemos dar a quem está perto, mais do que nas palmas e na admiração que podemos receber de gente que nem sequer sabemos quem é.
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