António Gomes Leal

Portugal
6 Jun 1848 // 29 Jan 1921
Poeta/Crítico Literário

32 Poemas

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Acusação à Cruz (11)

Ha muito, ó lenho triste e consagrado!/ Desfeita podridão, velho madeiro!/ Que tens avassalado o mundo inteiro,/ Como um pendão de luto levantado./ / Se o que foi nos teus braços cravejado/ Foi realm...

Os Brilhantes (12)

Não ha mulher mais pallida e mais fria,/ E o seu olhar azul vago e sereno/ Faz como o effeito d'um luar ameno/ Na sua tez que é morbida e macia./ / Como Levana ... esta mulher sombria/ Traz a Morte c...

A Ultima Serenada do Diabo (13)

No tempo em que elle, nas lendas,/ Era amante e cortezão,/ Jogava, e tinha contendas,/ Cantava assim em Milão:/ / ........................................../ ............................................

A Joven Miss (14)

Ella é tão loura, lyrica, franzina,/ Tão mimosa, quieta, e virginal,/ Como uma bella virgem d'um missal/ Toda dourada, e preciosa e fina!/ / Não ha graça mais casta e femenina/ Do que a d'ella! Seu r...

Lisboa (15)

De certo, capital alguma n'este mundo/ Tem mais alegre sol e o ceu mais cavo e fundo,/ Mais collinas azues, rio d'aguas mais mansas,/ Mais tristes procissões, mais pallidas creanças,/ Mais graves cat...

Noutes de Chuva (16)

Eu não sei, ó meu bem, cheio de graças!/ Se tu amas no Outomno - já sem rosas! -/ A longa e lenta chuva nas vidraças,/ E as noutes glaciaes e pluviosas!/ / N'essas noutes sem luz, que - visionarios-/...

Cantiga do Campo (17)

Por que andas tu mal commigo?/ Ó minha doce trigueira?/ Quem me dera ser o trigo/ Que, andando, pisas na eira!/ / Quando entre as mais raparigas/ Vaes cantando entre as searas,/ Eu choro ao ouvir-te ...

Carta às Estrellas (18)

Ninguem soletra mais vossos mysterios/ Grandes letras da Noute! sem cessar.../ Ó tecidos de luz! rios ethereos,/ Olhos azues que amolleceis o Mar!.../ / O que fazeis dispersas pelo ar?!.../ E ha que ...

A um Corpo Perfeito (19)

Nenhum corpo mais lacteo e sem defeito/ Mais roseo, esculptural e femenino,/ Pode igualar-se ao seu, branco e divino/ Immovel, nù, sobre o comprido leito! -/ / Nada te eguala! O ferro do assassino/ P...

Na Rua (20)

Veijo-a sempre passar séria, constante,/ - Às vezes, inclinada na janella, -/ Tranquilla, fria, e pallido o semblante,/ Como uma santa triste de capella./ / Seu riso sem callor como o brilhante/ No n...
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