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Charles Baudelaire

França
9 Abr 1821 // 31 Ago 1867
Poeta/Escritor/Crítico

30 Poemas

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Os Mochos (11)

Sob os feixos onde habitam,/ Os mochos formam em filas;/ Fugindo as rubras pupilas,/ Mudos e quietos, meditam./ / E assim permanecerão/ Até o Sol se ir deitar/ No leito enorme do mar,/ Sob um sombrio...

Elevação (12)

Por cima dos paúes, das montanhas agrestes,/ Dos rudes alcantis, das nuvens e do mar,/ Muito acima do sol, muito acima do ar,/ Para além do confim dos páramos celestes,/ / Paira o espírito meu com to...

Génio do Mal (13)

Gostavas de tragar o universo inteiro,/ Mulher impura e cruel! Teu peito carniceiro,/ Para se exercitar no jogo singular,/ Por dia um coração precisa devorar./ Os teus olhos, a arder, lembram as gamb...

Intangível (14)

Quero-te como quero à abóbada nocturna,/ Ó vazo de tristeza, ó grande taciturna!/ E tanto mais te quero, ó minha bem amada,/ Por te ver a fugir, mostrado-te empenhada/ Em fazer aumentar, irónica, a d...

Correspondências (15)

A natureza é um templo augusto, singular,/ Que a gente ouve exprimir em língua misteriosa;/ Um bosque simbolista onde a árvore frondosa/ Vê passar os mortais, e segue-os com o olhar./ / Como distinto...

A Giganta (16)

No tempo em que a Natura, augusta, fecundanta,/ Seres descomunais dava à terra mesquinha,/ Eu quisera viver junto d'uma giganta,/ Como um gatinho manso aos pés d'uma rainha!/ / Gosta de assistir-lhe ...

O Tonel do Rancor (17)

O Rancor é o tonel das Danaidas alvíssimas;/ A Vingança, febril, grandes olhos absortos,/ procura em vão encher-lhes as trevas profundíssimas,/ Constante, a despejar pranto e sangue de mortos./ / O D...

O Morto Prazenteiro (18)

Onde haja caracóis, n'um fecundo torrão,/ Uma grandiosa cova eu mesmo quero abrir,/ Onde repouse em paz, onde possa dormir,/ Como dorme no oceano o livre tubarão./ / Detesto os mausoléus, odeio os mo...

O Ideal (19)

Nunca poderá ser pálida bonequinha,/ Produto sem frescor qual manequim de molas,/ Pés para borzeguins, dedos p'ra castanholas,/ Que há-de satisfazer almas como esta minha./ / Eu deixo a Gavarni, poet...

Ciganos em Viagem (20)

A tribo que prevê a sina dos viventes/ Levantou arraiais hoje de madrugada;/ Nos carros, as mulher', c'o a torva filharada/ Às costas ou sugando os mamilos pendentes;/ / Ao lado dos carrões, na pedre...
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