Publicidade

Miguel Esteves Cardoso

Portugal
n. 25 Jul 1955
Crítico/Escritor/Jornalista

Publicidade

Ao que Viemos

Não tudo, mas alguma coisa depende da idade que temos agora e do jeito que temos de nos lembrarmos das idades que tivemos. Começamos por dizer "quando eu era novo" - mas nós nunca fomos simplesmente novos.
Mais do que termos sido novos, fomos antes vários tipos de novo. Até a tabela mais automática que seguimos começa aos cinco anos, idade das primeiras memórias certas, e continua, roboticamente: 10, 15, 20, 25, 30, 35, 40, 45, 50, 55, 60, 65, 70 e adiante, tomando o lustro como o equivalente pessoal da década da História.
Fala-se, com lassitude, de gerações. Nunca se fica a saber, mal ou bem, a qual pertencemos, mesmo que queiramos pertencer a alguma. Imagine-se a bandalheira correspondente se assim se falasse dos vinhos do Porto como sendo da geração dos anos 40, 50, 70 ou 90.
Não. Importa o ano em que se nasce. A idade, tal como no vinho, é relativa. Algumas pessoas ganham em consumir-se cedo. As melhores exigem que se espere. Resta vermos as nossas idades não como um percurso linear e previsível mas com a surpresa deliciosa dos anos vintage que não se adivinhar.
No ser humano, as idades importantes talvez sejam: 0 a 1, 3, 5, 7, 10, 12, 13, 14, 15, 16, 18, 19, 20, 21, 23, 25, 28, 30, 31, 35, 39, 40, 41, 45, 49, 50, 52, 55, 59, 60, 65, 69, 70, 74, 76, 79, 80, 81, 85, 86, 90, 91, 95, 98, 100, 105, 110, 111 e 120.
Quando éramos novos éramos velhos. Quando somos velhos, ainda somos novos. Resta saber, como sempre, ao que viemos.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (20 Ago 2011)'




Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook
Publicidade

Publicidade

© Copyright 2003-2021 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE