Opinião
“Música de Fronteira”, de Robert James Waller, é um livro que se lê como quem assiste a um daqueles filmes comerciais medíocres. Sente-se a cada momento as estratégias para nos emocionar e envolver. Talvez leitores pouco experientes ou exigentes encontrem neste livro algum entretenimento mas não passará disso mesmo. O enredo é banal e as personagens demasiado estereotipadas. Os ingredientes até são apelativos: o ambiente cowboy do Texas que se contrapõe às paisagens do gélido Iowa, a música country e uma paixão arrebatada, mas o resultado final, embora com pretensões, não deixa de ser decepcionante.
Do mesmo autor de “As pontes de Madison County”, popularizado com a versão cinematográfica onde brilharam Clint Eastwood e Meryl Streep, este “Música de Fronteira” é igualmente uma história de amor, e de novo aparece a questão da liberdade individual versus as obrigações familiares. Texas Jack Carmine, o protagonista, não deixará de lembrar também a personagem interpretada por Eastwood. Carmine é um texano aventureiro que vagueia pelo país, trabalhando aqui e ali, e para quem a liberdade é valor supremo. Numa das suas estadas no norte conhece a stripper Linda Lobo com quem vai viver uma intensa paixão. Não faltam peripécias e os segredos dos passados respectivos que irão complicar a relação dos dois.
A acção desenrola-se em dois momentos distintos, o da relação de Jack e Linda no Texas e alguns anos mais tarde quando ficamos a conhecer o tio de Jack, que vive no Iowa e anseia por viver coisas extraordinárias e em ser um viajante. Mais uma vez a comparação entre a vida dos que vão à aventura e dos que apenas sonham em fazê-lo e o preço que cada um paga pelas suas escolhas.