Opinião de Leitura
Este Ofício de Poeta Este Ofício de Poeta

Autor: Borges, Jorge

Leitor:

Opinião

Este livro é um conjunto de textos/ lições que Jorge Luis Borges proferiu numa universidade, na década de 60. São realmente lições sobre poesia, acompanhadas de versos exemplificativos, e expostas de uma forma muito acessível. Quase no início, adverte ele: "tenho apenas as minhas perplexidades para vos oferecer. Aproximo-me dos setenta anos. Dediquei a maior parte da minha vida à literatura e só dúvidas posso oferecer-vos."
Borges considera que a poesia é essencialmente a experiência de leitura, ou melhor, a experiência desse momento de encontro entre autor-palavra poética-leitor; é nessa interacção que reside a poesia: “A poesia é uma experiência nova a cada vez. De cada vez que leio um poema, sucede a experiência. E isso é poesia.” A poesia existe por trás das palavras, que “são símbolos para memórias partilhadas” .
Borges fala de si como escritor, afirmando que, quando escreve, esquece as suas circunstâncias, ou tenta esquecer, sendo mais fiel ao sonho que pretende transmitir (e daí surge a ideia da universalidade da poesia, que assim ultrapassa circunstâncias espácio-temporais). Mas essencialmente fala de si como leitor, considerando que este (o leitor) procura “a beleza, não as circunstâncias da beleza”, que “o significado não é importante – o que é importante é uma certa música, uma certa maneira de dizer as coisas”, uma maneira capaz de despertar a emoção e/ou a imaginação do leitor (“sentimos a beleza de um poema antes de começarmos sequer a pensar no significado”)
Distingue naturalmente a palavra poética da palavra usada quotidianamente (“a ideia de que as palavras começam por magia e de que a poesia as devolve à magia é, ao que penso, verdadeira”) e traça o percurso da palavra, que terá surgido oralmente e, de algum modo, com uma função mágica; depois ter-se-á convertido em expressão abstracta; será a poesia que busca reencontrar na palavra uma forma mágica (seja pela metáfora, seja pelo poder sugestivo do significante,…). Remete-nos, assim, para uma citação de Walter Pater, segundo a qual toda a arte aspiraria à condição de música, por ser esta a única arte em que “forma e substância não podem ser separadas”.


Publicidade

Inspirações

Amor Microscópico

Publicidade

© Copyright 2003-2025 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE