Opinião
Uma história simples (e será fácil escrever uma história simples com tal mestria e poeticidade?), simples e profunda, melhor: a percepção de uma história recolhida numa série de apontamentos diarísticos do protagonista (um apicultor, professor reformado, que vive só, com a sua colmeia e a sua horta, e algumas visitas esporádicas, os últimos meses da sua vida, condenada por um cancro cujo conhecimento tentou ignorar).
«Recomeçamos. Nunca nos rendemos.» é o pensamento (qual leitmotiv) com que o narrador cruza os temas recorrentes no texto: a vida, a morte, e a dor. A dor “é uma paisagem” que se materializa no corpo, depois na nostalgia com que desperta a memória da infância, no olhar negro da galáxia, nos dias de tréguas passeando a terra (o que será o paraíso? os dias sem dor alguma…); a dor é o inferno ao qual não se quer render; entre a vida e a morte, é, ainda, uma “incandescência branca”.