Opinião de Leitura
A Cura de Schopenhauer A Cura de Schopenhauer

Autor: Yalon, Irvin D.

Leitor:

Opinião

Um romance que mistura um pouco de biografia e um pouco de ensaio em torno da figura de Arthur Schopenhauer, filósofo que influenciou gerações de filósofos, escritores e o próprio pai da psicologia, Sigmund Freud, embora nunca admitido por este. Em capítulos onde se intercala o romance em si com a biografia de Schopenhauer, a narrativa incide em sessões de terapia psicológica de grupo onde um dos elementos encarna um autêntico clone deste filósofo, sendo interessante a forma como argumentos fulgurantes tirados da obra deste são utilizados e interpretados por vários tipos de sensibilidades consoante a expriência de vida e os traumas de cada um dos participantes.

Julius, reputado psicólogo, descobre que está às portas da morte pois é vítima de uma doença incurável. Consciente de que teve uma vida pautada por uma grande coerência e com bons resultados, plenamente realizado como homem e como profissional, resolve, a fim de não se deixar cair numa agonia sôfrega de desespero perante a morte, de passar os seus últimos dias a fazer o que sempre fez bem, e, melhor ainda, de recuperar alguns casos (pacientes) menos bem sucedidos do seu passado, a fim de saber o que lhe lhes aconteceu desde a última consulta. Philip é um desses casos, com três anos de consultas sem sucesso, revelando ao fim de vários anos depois que se curou a si mesmo através do estudo da filosofia de Arthur Schopenhauer. Intrigado com o seu insucesso, e curioso relativamente às receitas que Philip dá relativamente ao encarar da sua morte, Julius faz um pacto com Philip em que, em troca de lições sobre Schopenhauer, Philip vai assitir à terapia de grupo dada por Julius, uma vez que este se quer tornar terapeuta filosófico, convencido que as teorias de Schopenhauer são mais eficazes que os métodos utilizados nos tratamentos psicológicos.

Num grupo heterogéneo de pessoas que reagem das mais diversas formas a um novo elemento muito calado e com intervenções curtas mas bombásticas, Philip descobre a pouco e pouco que muito lhe falta para se tornar um bom terapeuta, pois toda a filosofia de Schopenhauer, muito eficaz para se colocar sob perspectiva e aceitar melhor a dura realidade do mundo e da vida, oferece pouco consolo efectivo, o qual, seguindo os resultados da terapia de grupo, só se alcança através de uma partilha sincera e aberta dos sentimentos e angústias com outras pessoas.

Em suma, um romance que vale mais pelo dar a conhecer um grande filósofo numa perspectiva prática através da qual o leitor fica com um conjunto de ideias muito interessantes e lúcidas de como encarar a vida nas suas mais variadas vertentes (amizade, amor, sociedade, existência, desejo, expectativas, morte, etc), mas uma narrativa muito fraca (embora muito activa e cheia de momentos que se poderiam intitular, numa perspectiva vulgar, de emocionantes) de encadeamento de situações e diálogos um tanto forçados e estereotipados segundo as personagens que nos são apresentadas, não obstante a tentativa esforçada do psicoterapeuta que é o autor deste romance de criar um bom livro, notando-se alguma veia literária mas pouco amadurecida porque demasiado factual.

Comentários

A tradução para Português é péssima. Por um lado o livro está recheado de erros ortográficos, por outro há frases nitidamente mal traduzidas ou traduzidas à letra, que não fazem qualquer sentido quando lidas em Português, o que denota falta de revisão. Ainda, o índice final das referências bibliográficas dos imensos excertos usados pelo autor cataloga cada um deles como página 00, o que invalida a sua utilidade. Tal contibuiu para uma avaliação negativa desta edição, além de o romance, como romance, igualmente dito em cima, ser um pouco fraco.

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