Opinião de Leitura
Jakob von Gunten Jakob von Gunten

Autor: Walser, Robert

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Opinião

Numa escola de boas maneiras e bem servir, o Instituto Benjamenta, Jakob von Gunten entra nos meandros de um ofício que deseja seguir como uma missão espiritual apesar de ter podido seguir uma carreira mundana proporcionável pela excelente linhagem da sua família com bons créditos na sociedade. Com um desígnio nobre de vir a servir sem nunca contrariar o seu senhor, mantendo-se na boa virtude de tudo fazer sem pestanejar, com uma conduta estóica irrepreensível almejando a pureza do coração, Jakob faz o elogio de uma opção de vida que se eleva acima de todas as outras porque incorruptível na mais sã das ambições: nada ambicionar e tudo aceitar no estrito cumprimento de uma relação entre um senhor e o seu criado, dentro de um conjunto de regras que lhe permite escapar a todas as frustrações deste mundo, causadas pelas expectativas de riqueza, êxito, fama cujo elevado preço é escalpelizado por Jakob nas suas divertidas descrições e sonhos alegóricos.

Num estilo que faz lembrar Kafka não deixa de ser curioso que este tenha lido os romances de Walser antes da publicação da sua obra. Com forte sentido de humor e absurdo, perturbador e, por vezes, infantil na sua simplicidade, um romance na forma de um diário onde até perto do fim nunca se tem certeza se é a escola que é estranha ou se Jakob, onde em poucas palavras este revela verdades simples sobre as virtudes e os vícios que se podem encontrar no mundo, e as armadilhas associadas aos mesmos.

Excerto

Aprende-se muito pouco aqui, há falta de professores, e nós, rapazes do Instituto Benjamenta, nunca seremos ninguém, por outras palavras, nas nossas vidas futuras seremos apenas coisas muito pequenas e subalternas. A nossa instrução visa sobretudo incutir-nos paciência e obediência, duas qualidades que pouco ou nenhum proveito prometem. Proveito espiritual, sim. Mas o que nos dão as virtudes espirituais? Trarão comida para a mesa? Gostaria de ser rico, viajar de coche e esbanjar dinheiro. Falei a este respeito com Kraus, o meu colega de escola, mas ele apenas encolheu os ombros com desdém e não se dignou dirigir-me uma palavra. Kraus tem princípios, senta-se com firmeza na sela da satisfação, um cavalo que não serve a quem quer galopar. Desde que estou aqui no Instituto Benjamenta já consegui tornar-me um enigma para mim próprio. Também eu fui contagiado por uma satisfação extraordinária e até agora perfeitamente desconhecida.

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