Opinião de Leitura
O Codex 632 O Codex 632

Autor: Rodrigues dos Santos, José

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Opinião

Romance contemporâneo mas de cariz acentuadamente histórico em que se aborda através de enigmas e segredos a vida e origem de Cristovão Colombo. É inevitável desde o início, a comparação com o "Código de Da Vinci" de Dan Brown. E porquê? Simples: porque escolhem a mesma estrutura narrativa e até partem de ideias semelhantes: um homem de idade (conhecedor de um terrível segredo) morre de forma misteriosa e deixa um enigma que só a personagem principal poderá resolver. Tal como em "O Código Da Vinci" também aqui surge uma personagem feminina que tentará ajudar Tomás, a personagem principal a desvendar o mistério, etc...
Mas a partir de determinada altura esquece-se dan Brown e Da Vinci e José Rodrigues dos Santos consegue levar o leitor a ler o livro de forma fluida e sem grandes solavancos, que é aliás o que se pretende com este tipo de romances.
A par da história principal, descobrir afinal quais as origens de Colombo através dos enigmas deixados antes de morrer por um professor universitário, há também algumas histórias secundárias que se tornam um pouco previsíveis com o desenrolar do livro: a história da filha de Tomás, portadora de trissomia 21, com dificuldades na escola e problemas graves de saúde, as dificuldades do casamento entre Tomás e Constança, a infidelidade de tomás, etc...
O papel que Lena representa, a aluna estrangeira-boacomómilho-amante do professor, tem também o seu quê de bastante previsível, assim como a sua importância na parte final do romance.
Apesar dos "defeitos" que leitores mais experientes descobrirão com facilidade na narrativa, o livro na globalidade é bom. Falta talvez a José Rodrigues dos Santos, maturidade na sua escrita para conseguir esconder melhor os nós em que tece a malha das suas histórias.

Excerto

Tomás apercebeu-se de uma folha solta, duas linhas firmes, três palavras redigidas com inusitado cuidado, as letras rabiscadas em maiúsculas que pareciam rasgar o papel, a caligrafia revelando contornos obscuros, insinuantes, como se encerrasse uma arcaica fórmula mágica, criada por antigos druidas e esquecida na névoa dos séculos.

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