Opinião de Leitura
A Casa Assombrada A Casa Assombrada

Autor: Woolf, Virginia

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Opinião

Este pequeno livro reúne oito contos de Virgínia Woolf, num estilo discursivo bastante original para a época, mas bem característico da autora, pela ruptura que produz na forma tradicional da narrativa ao privilegiar a reflexão, a fantasia, o cruzamento de pensamentos, tempos e espaços.
Se, por um lado, a plasticidade da sua escrita (a recorrência de notações sensoriais, a atenção aos efeitos de luz, à disposição dos objectos numa sala, por exemplo) nos remete para uma aproximação ao real, por outro lado, e em simultâneo, conduz-nos a uma percepção de que, por trás dos objectos e dos corpos físicos humanos, há toda uma alma, um espírito, um tempo, uma corrente de pensamento que fluí interminavelmente, independente da efemeridade das coisas e da vida.

Excerto

«Mas a vida. A lenta derrocada dos grandes caules verdes de tal modo que a flor acaba por se virar, ao cair, inundando-nos com uma luz de púrpura e vermelho. Porque é que, bem vistas as coisas, não nascemos ali em vez de aqui, desamparados, incapazes de ajustarmos como deve ser a luz do olhar, rastejando na erva entre as raízes, entre os calcanhares dos Gigantes? Porque dizer o que são as árvores, e o que são homens e o que são mulheres, ou sequer o que é haver coisas como árvores, homens e mulheres, não será algo que estejamos em condições de fazer nos próximos cinquenta anos. Não há nada por vezes senão espaços de luz e de escuridão, intersectados por grandes hastes densas e talvez bastante mais acima manchas em forma de rosa – rosa-pálido ou azul-pálido – de cor indecisa, e tudo isso, à medida que o tempo passa, se vai tornando mais definido e se transforma – em não se pode saber o quê.»

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