Opinião
Quanto a mim, Camus nunca foi um prodígio literário. Nunca domou as palavras com a mestria de um Vergílio Ferreira (entre nós), ou de um Dostoievski (quando bem traduzido). Contudo, essa nunca foi a intenção do escritor franco-argelino. Reflectindo em si os problemas do seu tempo, Camus constrói uma obra à volta da presença do Homem no mundo, inquietando-se existencialmente e confrontando o absurdo da acção humana com a tão alta racionalidade que nos distingue dos restantes seres vivos.
Este romance, "O Estrangeiro", pequenino no tamanho, faz o leitor pensar. Ensina o leitor a pensar. Não impressionando pela sua beleza estilística, encontra-se recheado de perguntas mudas e respostas inaudíveis.
Merece a leitura.