Opinião de Leitura
A Materna Doçura A Materna Doçura

Autor: Cachapa, Possidónio

Leitor:

Opinião

   O nome deste escritor português é dificilmente esquecido depois de ouvido e a sua escrita lida, ou facilmente obliterado de qualquer memória de pendor light a la Pinto pink.
   Aprendi o nome dele num momento importante para mim. Apreendi a sua escrita há menos de uma semana útil. É autor de quatro livros (e outras coisas ao que parece...), sendo um deles teatro, três publicados na Assírio & Alvim e o quarto na Oficina do Livro.
   Só li um, o que o fez criar na crítica a vontade de ter Cachapa publicado em papel físico, intenso no cheiro que há-de ter e nas formas possíveis de criar, A Materna Doçura. Só sobre este falo, só sobre o pouco que reconheço num aperto de mão e um sorriso poderei esclarecer.
   Possidónio sorri com sinceridade um sorriso companheiro e de esperança num horizonte diferente. Cachapa aperta a mão como se fosse um quase conhecido de alguém que pressente uma vontade de chegar ali! E a verticalidade não existe, o que existe é um plano só onde se caminha em direcções múltiplas com lugares destinados e entre si alcansáveis com a vista.
   A Materna Doçura é um romance. Descreve, Cachapa, amores e desamores, vidas a construir-se e a descontruir-se, pois esse é o processo explícito de quase todas as vidas, excepto duas ou três que explodem na destruição do mundo tal como ele era julgado existir. O romance não fala de festas com classe nem de brincos de princesa pink. Fala de brilhos nos olhos, como se fossem as vidas ansiadas e jamais atingíveis, fala de amores do tamanho da Lua. Amores de filhos pelas mães (as de sangue e as de ser), dos amores das mães de sangue e das de ser pelos filhos, dos amores dos pais de ser e dos de sangue pelos filhos, e dos amores da carne entre mães e filhos, num cinema de arte pornográfica sem close ups.
   A mim pouco me interessa o mundo cego que roda em volta. Como disse o autor, numa entrevista televisionada, com a presença da Pinto pink, o seu "público alvo não é o mesmo do da Margarida."



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