Opinião
No outro dia, cruzei-me com um livro que ainda não tinha lido. Mirei-o: ainda não li isto!, disse para comigo. Agora, que já o li perco-me um pouco nos desenhos que acompanham o texto: 4 desenhos sem título de Pedro Cabrita Reis, onde se parece mostrar uma caravela. Sinto-me um pouco perdido nesta imagens, e talvez seja essa a intenção... o texto que li ajudou... mas o meu gosto imediato diz-me que eu não gosto dos desenhos.
O texto rola leve durante 28 páginas nesta edição da assírio & alvim de 1997, integrada nos Cadernos do Pavilhão de Portugal - Expo'98.
José Saramago, carinhoso e gentil, coloca-nos frente a uma personagem que pretende encontrar a ilha do título do livro no tempo em que todas as ilhas são já conhecidas. Num misto de viver onírico e real, transporta-nos pelo sentido do cumprir as decisões tomadas e pelo amor que se toma durante esse caminho de edificar o sonho. Da realidade mostra-nos as pessoas: o que elas são e sentem, do sonho mostra-nos as imagens: o que elas revelam e escondem.
Simples e sem rodeios, o autor deixa a ideia quase certa da ilha desconhecida que cada um de nós é, à procura ensimesmados.