Opinião de Leitura
O Papalagui O Papalagui

Autor: Tuiavii, 

Leitor:

Opinião

   Este livro, feito a partir dos discursos de um chefe tribal de Samoa, na década de 1920, permanece actual.
   O papalagui é o europeu ou o homem branco, e Tuiavii fala aos seus conterrâneos sobre a nossa civilização e os seus males. Com a ingenuidade, mas também com a acutilância, que apenas quem observa de um outro mundo pode ter, Tuiavii critica todo o modo de vida do quotidiano europeu.
   Ao ler este livro, somos postos a pensar se fazem sentido certas lógicas que tomamos como certas, e pensemos também se quando nós criticamos outras culturas e formas de vida, estaremos minimamente habilitados para falar.

Comentários

   Papalagui - assim os samoanos chamam aos brancos, e assim Erich Sheurmann chamou à crítica da civilização ocidental posta na boca do chefe samoano Tuiavii que registou um êxito editorial estrondoso. Seduzindo milhares de leitores, tornou-se um autêntico best-seller e livro de cabeceira de certa cena dita alternativa, sobretudo no seu país de origem. Publicado em 1920, na Alemanha, o livro encontrou os primeiros leitores num país ainda ávido de matar saudades do arquipélago de Samoa, cuja parte ocidental tinha sido uma colónia alemã antes de ficar sob a tutela da Nova Zelândia nesse mesmo ano de 1920, até adquirir a independência de 1962.
   O Papalagui não pode ser visto isoladamente. Insere-se numa tradição literária secular e numa mitologia de vigor excepcional : o sonho do paraíso terrestre. Este sonho fixa-se no século XVII nos mares do Sul que começam então a ser explorados sistematicamente. Tudo ali se procura, naquelas regiões longínquas do Pacífico: um clima feliz, uma natureza generosa onde sobrevive o 'bom selvagem' de Rousseau, inocente e nu, libertado das pressões do dia-a-dia e sem necessidade de trabalhar.

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