Opinião
Por vezes basta um pequeno incidente ou uma mentira aparentemente insignificante para estragarem toda uma relação. Principalmente se, de seguida, ao invés de se esclarecer a situação, se deixam avolumar as suspeitas, as recriminações, os mal-entendidos.
E nem o tamanho do amor que unia Júbilo e Lucha, nem a extrema sensibilidade de Júbilo, evitaram que tal lhes acontecesse, pois como diz a autora, o amor e a confiança andam de braço dado, e quando alguém opta por mentir, ainda que para evitar uma reação negativa do outro, mostra que já perdeu a confiança nele.
Este novo romance de Laura Esquivel, homenageia os antepassados dos internautas, os telegrafistas, e é de uma grande beleza.
Como único senão, o facto de se ler num ápice, ainda mal me apaixonara pelos personagens e já o livro terminara.
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Júbilo veio ao mundo com um imenso e o dom de ouvir as palavras que o rodeiam. Era ainda menino e - ao servir de intérprete entre a avó, orgulhosa representante do povo Maia, e a mãe, de língua espanhola - já adoçava as palavras amargas que ambas trocavam, conseguindo que desse ódio nascesse respeito e amor.
No México dos anos vinte, Júbilo é já um homem e trabalha como telegrafista, ocupação que lhe permite fazer bom uso do seu dom, pois continua a ajudar as pessoas a revelarem o que lhes vai na alma, reescrevendo as mensagens que enviam. A felicidade plena chega quando Júbilo conhece Lucha, por quem se apaixona perdidamente. Enfeitiçados um pelo outro, casam e vivem uma vida de sonho.
Muitos anos passados, o telégrafo está abandonado, obsoleto que é como forma de comunicação; e Júbilo, solitário no seu leito de morte, onde jaz cego e mudo, sofre ainda com a tragédia que um dia o afastou da mulher, o seu grande e único amor.
Que acontecimento trágico poderá ter-se interposto entre os dois amantes, provocando um dano tão irreparável? Mas Lluvia, a filha de ambos, nascida já após essa inexplicável tragédia familiar, não vai descansar enquanto não vai descansar enquanto não desenterrar o fantasma do passado e desvendar o que está por detrás dessa triste história de paixão e amargura.
Numa viagem por entre a numerologia Maia e Asteca, as novas tecnologias (dos telégrafos aos computadores) e as paixões humanas, Tão Veloz Como o Desejo é o carinhoso tributo que Laura Esquível presta ao pai que, como Júbilo, trabalhou como telegrafista.