Opinião
Este livro é constituído pelas mensagens trocadas entre mãe e filha, mensagens estas que começam devido a desfasamento de horários ou devido à distância, mas as duas rapidamente se apercebem que nesta forma de comunicação conseguem uma maior intimidade.
Aproveitam assim para debater os mais variados temas da actualidade, deixando-nos a nós, leitores, duas visões diferentes da mesma realidade: a de uma jovem estudante de psicologia com 20 anos e a de uma mulher madura e vivida com cerca de 50.
Confesso que, não raras vezes, me identifiquei com as personagens e curiosamente, quer com uma quer com a outra.
Um livro que se lê num "ai"... e que deixa uma sugestão no ar, que eu por vezes sigo, troquemos mensagens escritas com aqueles com quem convivemos e vejamos os resultados.
Comentários
Este livro, ficcionado a partir de cartas verdadeiras, constitui um dos muitos registos possíveis de um diálogo ettre gerações; nele, filha e mãe vencem as barreiras da idade para conferir pontos de vista.
Mariana, perplexa com o Mundo e atenta à incoerência dos adultos, interpela a mãe vorazmente sempre que uma dúvida, uma revolta ou um sentimento novo a assaltam; a mãe, que aproveita as cartas para a instruir sobre a vida num tom seguro e categórico, vê-se por vezes confrontada consigo mesma e atrapalhada por romper o cerco crítica da filha.
Um exercício que começa por ser ocasional - num tom simultaneamente terno, divertido e irreverente -, mas que, a pouco e pouco, vai revelando as razões e contradições que uma e outra idade experimentam.
Do amor à droga, da televisão aos estudos, do sexo à religião, passando pelos pequenos-grandes dramas chorados na adolescência, um livro espontâneo e sem artifícios que, à margem da literatura e da própria pedagogia, passa em revista muitas das questões que magoam os filhos e comprometem os pais. E vice-versa.
Rita Ferro, romancista e cronista, é co-autora deste livro com a sua filha, Marta Gautier, de 21 anos, estudante de psicologia.