Opinião de Leitura
Moderato Cantabile Moderato Cantabile

Autor: Duras, Marguerite

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Opinião

   «-Apesar de tudo - disse Anne Desbaresdes quando chegavam à Avenida do Mar -, tu podias lembrar-te uma vez por todas. Moderato quer dizer moderado, e cantabile quer dizer cantante, é fácil.»
   Uma mulher é assassinada, num bar, pelo amante. O amante agarra-se ao corpo da mulher estendido no chão, abraça-o, beija-o, diz-lhe «Meu amor. Meu amor.» - esta a cena que Anne Desbaresdes presencia ao sair da aula de piano do filho.
   Fica a pergunta: porquê? Porquê aquela morte? É talvez em busca de uma resposta a essa pergunta que Anne Desbaredes vai a esse bar no dia seguinte ao do assassinato. Ao bar onde os amantes se encontravam. Lá, Anne Desbaresdes conhece um homem, Chauvin. E é a esse bar que Anne irá voltar dia após dia. E Chauvin estará lá. Bebem vinho e conversam. Sobre a morte da mulher, sobre o que a poderá ter causado, sobre a relação deles - deles, assassino e assassinada, ou deles, Anne e Chauvin? De ambas, parece-me. Misturam-se e confundem-se. Anne e Chauvin reiventam e reconstroem a relação dos amantes de que falam e reinventam-se a si mesmos, obsessivamente, numa espécie de jogo de amor e morte que os liberta do quotidiano.
   E há o Verão que se aproxima, as noites quentes e as magnólias de cheiro intenso.
   E há a dona do bar que presencia os encontros de Anne e Chauvin como terá presenciado os encontros do outro homem e da outra mulher. Apetece dizer que é ela, essa espécie de figurante, afinal, a responsável por esses encontros, que é ela que os entretece, da mesma maneira que faz com o tricot vermelho que arruma nas últimas páginas do livro.
   Uma narrativa moderada e cantante, ainda assim, de uma beleza intensa.

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