Opinião
É um grande livro, sim senhor!, um excelente livro. Devia haver mais destes para alternar com as leituras de Astronomia. Afinal, sabe sempre bem dar umas voltas pelo sistema solar, observar asteróides, enfrentar o monstro Júpiter, passar por Saturno e nunca mais voltar... Porque é que estes livros têm fim?! Porquê?! Detestei o alimento azul e viscoso e a água destilada deu-me volta ao estômago, mas passei-me com a queda de Dave no monólito de Japetus... em inglês o nome do capítulo em que Dave identifica o ponto negro no centro da oval branca de Japetus será Big Brother, não? O AMT de Japetus era o "irmão mais velho" do AMT da Lua... mas também passou eternidades (opst!) virado para a Terra a observá-la e a "nós" dentro dela, não foi?
Adorei o pormenor do primeiro capítulo, com os homens-macacos e o inesquecível Sentinela-da-Lua. Além disso, o livro proporcionou-me um dos prazeres de leitura mais subtis e mais raros, o choque dos sentidos. Como a minha imaginação tem muita ginástica, chego frequentemente ao fim de um livro sem me recordar das páginas impressas... é como se viajasse mesmo, porque visualizo tudo o que leio... e isso neste romance foi constante: sempre que interrompia a leitura por alguma razão, era obrigada a readaptar o olhar à forte - eheheh - luminosidade terrestre, bem como ao seu ensurdecedor barulho. Isso começou logo com a descrição na Base Lunar Clavius, no segundo capítulo, e durou até à última linha do romance. Foi a ferros que acordei deste romance e voltei à Terra, por mim tinha ficado lá mais tempo.
Arthur Clarke é bem estranho. É um pouco místico, não? Pelo menos, vibra com as coincidências, o que é disso um indício. Há uma coincidência a propósito de Japetus e do 2001... quando a Voyager 1 enviou as primeiras fotografias de Japetus para a Terra, descobriu-se mesmo uma grande oval branca com um ponto preto no centro... além de místico, Clarke é bruxo.
Jamais esquecerei as imagens e o imenso silêncio deste livro. Imaginem um enorme entusiasmo e uma leitura deliciada: foi assim.
De qualquer maneira, o 2001 ergue-se sobre uma teoria algo estranha a propósito do aparecimento e da evolução da inteligência na Terra... essa teoria não vem explicada, mas está implícita, não é?