Excerto
Nunca teve uma súbita necessidade de simpatia, de auxílio, de amizade? Sim, com certeza. Eu aprendi a contentar-me com a simpatia. Encontra-se mais facilmente e, depois, não nos impõe nenhum compromisso. «Creia na minha simpatia», no discurso interior precede imediatamente, «e agora ocupemo-nos de outra coisa». É um sentimento de presidente do Conselho: obtém se muito barato, depois das catástrofes. A amizade é menos simples. A sua aquisição é longa e difícil, mas, quando se obtém, já não há meio de nos desembaraçarmos dela, temos de lhe fazer frente. Sobretudo, não acredite que os seus amigos lhe telefonarão todas as noites, como deviam, para saber se não é precisamente essa a noite em que decidiu suicidar-se, ou, mais simplesmente, se não tem necessidade de companhia, se não está com vontade de sair. Oh, não, se telefonarem, esteja descansado, será na noite em que já não está só e em que a vida é bela. Quanto ao suicídio, a isso de preferência o empurrariam, em virtude dos deveres para consigo próprio, segundo eles. Deus nos livre, caro senhor, de sermos colocados muito alto pelos nossos amigos! Quanto àqueles cuja função é amar-nos, quero dizer, os pais, os parentes por afinidade (que expressão esta!), isso é outra cantiga. Têm a palavra necessária, sim, é verdade que a têm, mas é mais a palavra-bala; telefonam como quem dispara uma carabina. E acertam no alvo. Ah!, os Bazaines!*