Opinião
Este é, a meu ver, um livro fabuloso. Surpreende na forma, nas personagens, na fusão de duas Lisboas, duas histórias de Portugal, duas realidades marcantes do nosso passado. É sobre o RETORNO. De África, do Sonho, do Passado.
Excerto
«Na véspera de um dia qualquer, ao procurar à noite, em Campolide, papel e ossinhos de frango nos caixotes do lixo, encontrou de novo Fernão Mendes Pinto que saía da cave desatinada de uma discoteca de cabo-verdianos, pendurado, logo abaixo da carteira de vernis, do sovaco de uma mulata submergida em raposas acrílicas. Vivia agora de uma constelação de residenciais e de pensões para fidalgos africanistas em desgraça, e projectava alargar a sua indústria explorando os bairros de má morte do Intendente, da Avenida Almirante Reis e da Casa da Moeda, perto de bares de putas e de dancings equívocos, em que as luzes erguiam das trevas, ao ritmo da música, pedaços de rostos protuberantes como peixes de alcofa.»