Opinião de Leitura
OS PAPEIS DE K. OS PAPEIS DE K.

Autor: Pina, Manuel

Leitor:

Opinião

Ficção da ficção da ficção. Que compreensão poderemos tirar do livro? Como apreender a história simples e com tantas ressonâncias que nos é contada?

Sim, claro, o nosso papel é acreditar, sabendo que nos estão a mentir. Mas acreditar em quê? Perguntas, Nastenka, "Quem é Agnes?"... Eu não sei. Imagino para ela uma realidade diferente todos os dias!Todo o conhecimento que vamos adquirindo com a história pode ser revisto. E é, de facto, alterado por várias vezes.

Neste contexto, o narrador é-nos muito próximo. Apesar de ser o principal culpado das dúvidas, porque se calhar não se recorda de factos mas da sua recordação deles, é a sua principal vítima, acabando por ser reinventado pelo correr da história. É o narrador, antes me mais, que sofre com o desconforto da realidade em constante reconstrução, revisão. E diz ele a propósito de K.:


«Escrevera ele uma ficção, ou tentara, desesperadamente, descobrir um sentido, uma razão, em tudo o que acontecera, algo a que pudesse amparar-se de modo a poder, senão aceitar, pelo menos compreender? Porque, no meio do desespero, compreender pode confortar e pode, se possível, permitir um pouco de paz.»



E assim, com esta simplicidade, se levantam mais um monte de questões. Filosóficas, psicológicas, sociológicas, religiosas... Poderá parecer só literatura. Só uma novela. Está cheio de ressonâncias...

Excerto

" A matéria da memória é indefinida e insegura e nela, como na matéria da vida (e a vida é provávelmente apenas memória), se confundem acontecimentos e emoções, imagens e conjecturas, cuja origem nem sempre nos é dado com clareza reconhecer e cuja finalidade a maior parte das vezes nos escapa. E, no entanto, é tudo o que temos, memória."

Publicidade

Inspirações

Dar ao Amigo

Publicidade

© Copyright 2003-2025 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE