Opinião de Leitura
Carta ao Futuro Carta ao Futuro

Autor: Ferreira, Vergílio

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Opinião

Carta ao Futuro é exactamente aquilo que o titulo indica - é uma longa carta, escrita por Vergílio Ferreira, destinada a ser lida daqui a alguns séculos ou milénios, cujo propósito é, identificando todas as questões existenciais existentes agora e desde sempre, perguntar ao futuro se lá essas ainda existem ou se já foram resolvidas.

Vergílio Ferreira identifica e descreve, de uma forma sucinta mas profunda, todas as questões existenciais começando pelo encontro original do homem consigo próprio, falando da solidão, da realidade imediata, da memória absoluta, da evidência, do perigo da categorização, da revelação da nossa perenidade, da memória e recordação, do saber e ver, da interrogação e resposta, da pessoa una, da evidência e do meio, do humanismo, das raízes do homem, da morte de Deus, dos sucedâneos de Deus, da solidão final, da re-criação do mundo, da verdade, da saudade de Deus, da interrogação na procura de algo superior, na ilusão dessa procura, no sentido da comunidade humana.

Continuando, disserta sobre a condição humana, dos limites da nossa condição, na definição do "eu", perante a morte, o mundo, a projecção da vida, o nada, a redenção, o saber.

Culmina sobre a discussão do papel da arte, afinal estandarte de toda a nossa existência através dos tempos. Para começar fala da redenção, do suicídio, da dádiva da vida, do fazer e do criar, começa a falar então da arte, a beleza, a revelação. Para terminar fala, ainda dentro do âmbito da arte, ao absoluto, da sagração da vida, do sentimento estético, da emotividade e da verdade como culminação da expressão do sentimento estético através da arte.

É sem dúvida um pequeno livro que vale bem a pena ser lido, re-lido e dissecado em todas as suas partes, as quais indiquei acima. Inúmeros temas e opiniões para discussão, dentro de nós próprios ou com outros. No fundo, Vergílio condensa numa carta toda a humanidade, e todas as suas dúvidas e angústias de todos os tempos. Um bom ponto de partida para cada um de nós fazer a sua própria reflexão, e ainda um bom ponto de partida para abordarmos depois os romances de Vergílio Ferreira, na sua fase existencialista que começou com o seu romance "Mudança", a partir do qual tenta lançar mais algumas luzes sobre todas estas temáticas.

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