Opinião de Leitura
Asfixia Asfixia

Autor: Palahniuk, Chuck

Leitor:

Opinião

“Asfixia” é um livro que se pretende chocante e o narrador começa mesmo por nos avisar para não avançarmos mais, para desistirmos enquanto conseguimos. Uma estratégia talvez para nos despertar ainda mais curiosidade. A história é original, um anti-herói também narrador, desiludido consigo (a quem chama de falhado) e com a sua vida. Nada é normal na vida de Victor Mancini. Viciado em sexo, frequenta um grupo de auto-ajuda que não lhe serve de outra coisa se não para encontrar ainda mais parceiras que sofram do mesmo problema. O seu melhor amigo é um viciado em masturbação e a mulher, que sempre viu como sua mãe, sofre de Alzheimer e está internada num lar. Para o pagar Mancini arranjou um esquema no mínimo estranho: simular que está a sufocar em restaurantes finos. Há sempre alguém que o “salva” e que passa a sentir-se responsável por ele, responsabilidade essa que inclui muitas vezes cheques que o vão ajudar a pagar a clínica da mãe. Há também uma lunática que pensa que é médica e que o convence que é filho de Jesus...
Com uma escrita sem floreados, seca e por vezes vulgar a roçar um certo efeito porno-chic, Palahniuk consegue ser irónico e original. A sequência delirante de acontecimentos que se sucedem dão à narrativa um fulgor e dinamismo que nos faz ler o livro num ápice.
Neste livro o que me “chocou” não foram as descrições explícitas de sexo ou a linguagem vulgar mas a forma como o narrador olha para a velhice, a solidão, para a falta de amor.

Comentários

Auto do Clube de Combate

Excerto

Quero dizer, num mundo sem Deus, as mães não são os novos deuses? A última posição inexpugnável e sagrada. Não é a maternidade o último milagre mágico e perfeito? Mas um milagre que é impossível para os homens.
E talvez os homens digam que estão contentes por não darem à luz, todo aquele sofrimento e todo aquele sangue, mas na verdade não passam de uvas verdes. É óbvio que o homem não é capaz de fazer nada tão incrível. Força de braços, pensamento abstracto, falos, quaisquer outras vantagens que os homens pareçam ter são coisas muito insignificantes.
Nem sequer podes martelar um prego com um falo.
As mulheres já nascem tão adiantadas em termos de capacidades. No dia em que os homens conseguirem dar à luz, nessa altura é que podemos começar a falar em igualdade de direitos

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