Opinião de Leitura
Deusas Ex Machina Deusas Ex Machina

Autor: Pimenta, Alberto

Leitor:

Opinião

É estranho este livro. Inclassificável Incompreensível. E ainda assim lê-se com agrado, pela agilidade da prosa, das subtilezas e ironias. Sempre se aprende alguma coisa, tal a cultura e a sabedoria de Alberto Pimenta.

I Só traições
Começa no útero este livro. Com os perigos que podem sobrevir, com a possibilidade da morte antes de se nascer.
Não é poética a descrição, é crua, cirúrgica..

Depois começa um relato estranho de uma experiência ainda mais estranha que reúne um mortal na cama com deusas, santas, mistura as mitologias e reinventa símbolos. Uma fábula erótica?
Diz o protagonista que odeia factos, reais ou imaginários... talvez daí a aparente(?)falta de sentido primeira parte do livro. Mas também quem disse que os sonhos tem de ter um sentido?

II Só Plágios
A segunda história deste livro é uma espécie de diário com entradas em datas aleatórias com episódios da vida do autor/narrador. Relatam-se acontecimentos sem terem necessariamente ligação entre si. Parte das anotações são sobre a vida e as considerações de Zezzos, um artista italiano. Zezzos achava que a arte se tinha tornado numa grande “duplicação original”. (...) a arte era um grande calendário vivo.
O que é arte, a crítica e o ridículo.
Hilariante.
Um exemplo:
“Zezzos realizou o lendário filme Portogallo 75, do qual Miti-Paredi disse ‘No seu posicionamento introverso e à base do total estranhamento, penetrando na aura do espaço fixado na película, ou seja, indo para além da aparência do real, Zezzos obteve a mais fluída intromissão, transparente e no entanto feita de opacidade. Finalmente, a verdade oculta tornou-se facto cinematográfico. Podemos falar como Pontecorvo do efeito pálpebra virada’

O filme, com uma duração de 93 minutos, é uma passagem contínua de cinzentos, interrompidos aqui e ali por pontos cor de carne, que surgem como rebentamentos. Esplendoroso.”

“Os pintores pintam palavras e títulos. Não sabem outra coisa. É como quem tem um tumor para arrancar. Ou seja, como quem julga que tem uma verdade para dizer.

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