Opinião de Leitura
Teatro de Sabbath Teatro de Sabbath

Autor: Roth, Philip

Leitor:

Opinião

Mais um excelente livro de Philip Roth a completar a trilogia americana: "Casei com um comunista"; "Pastoral Americana" e "Teatro de Sabbath".

A personagem principal é Mickey Sabbath, um judeu sexagenário que, após ter perdido a sua amante de muitos anos, vai iniciar um percurso doloroso pela memória numa espécie de castigo auto-inflingido. É uma pessoa irónica, mordaz, muito realista. Não se interessa pelos valores instituídos e despreza as convenções.

Mickey foi "fantocheiro" nas ruas de Nova Iorque e acaba por mudar-se para uma localidadezinha com a sua segunda mulher, após o desaparecimento misterioso da primeira. Mickey tem um vicío, as mulheres. Não resiste ao sexo desenfreado e, embora, mantenha o casamento de conveniência e uma relação adúltera ao longo de treze anos vai mantendo ligações ocasionais com muitas mulheres. Mickey não é bonito, mas tem um talento especial para seduzir.

Ao longo da narrativa vamos compreendendo que a vida desenfreada da personagem principal é também uma forma de ultrapassar a solidão, a falta de sentido numa América que sabe ser puritana e hipócrita. Que esconde a podridão sob uma camada de bons sentimentos. Num país que mandou para a guerra e para a morte jovens de 18 anos como o seu irmão Morty, que viria a morrer no Pacífico.

Sabbath nunca se recompôs da perda, do absurdo de perder um irmão a quem amava e que, por idealismo se alistou para a guerra. Sabbath nunca se recompôs de ter, também, nessa altura perdido a sua mãe que ficou para sempre despedaçada pela perda do filho. É para tentar fugir a essas perdas que lhe marcaram a infância que embarca na marinha mercante tentando colmatar com o prazer físico o vazio emocional em que se encontra.

Quando lhe morre Drenka, a sua amada e amante, a única que o compreende e corresponde nessa fúria carnal sempre insaciada, Mickey entra em desespero. Inicia então, numa tentativa de resgatar o passado, procurar o que lhe resta da memória da infância regressando à sua terra natal, junto à costa, onde nunca mais tinha ido.

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