Opinião
Um caso de amor entre um adolescente e uma mulher madura. É esse o conteúdo da primeira das três partes deste romance, que, por si só, significaria uma simples história banal e sem grande interesse, como tantas outras histórias de amor.
No entanto, a primeira parte é apenas um pequeno aperitivo para o que vem a seguir, justificando a existência do relato banal e apaixonado do adolescente. Pois todas as cumplicidades relatadas vão combinar-se para tentar explicar o que se vai seguir, encontrando-se esse adolescente, mais velho, perante a sua antiga amante, num tribunal de guerra.
Schlink, apesar de já existirem tantos romances e diversas abordagens sobre o tema do Holocausto, arrisca neste seu romance abordar este tema de uma forma original e de um novo ângulo e parece consegui-lo com sucesso. Até que ponto somos ou não responsáveis pelas nossas acções, numa situação crítica, sujeitos a ordens que não podem ser desobedecidas? Qual a responsabilidade e qual o papel da geração dos filhos das pessoas que, directa ou indirectamente, sobretudo indirectamente, participaram no Holocausto?
O leitor, Berg, lia em voz alta livros para a sua amada, partilhando com esta as suas preferências de leitura, experiência essa que vai permitir a Hanna alcançar um conhecimento e uma curiosidade por mais conhecimentos que a vão ajudar a tomar a decisão mais importante da sua vida.
É uma história extremamente comovente, mas nada banal, sendo sim imprevisivel nas duas partes finais, embora montada em cenários triviais mas que consegue deslumbrar devido à riqueza da relação e dos sentimentos dos dois amantes, e, sobretudo, à grande nobreza revelada por Hanna.