Opinião de Leitura
O Velho que Lia Romances de Amor O Velho que Lia Romances de Amor

Autor: Sepúlveda, Luis

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Opinião

Um romance simples e pouco elaborado, de leitura leve e rápida, fruto de uma escrita cuidada e esforçada mas sem grande criatividade. Baseado na experiência do escritor Luís Sepulveda numa visita à Amazónia e pelos relatos que ouviu de alguns dos seus habitantes, este criou um clássico mas vulgar romance de aventuras, de enredo previsível, salpicado pelo saber que lhe tinha sido transmitido por indígenas desse território.

Um homem, António Bolivar, vai viver para a Amazónia com a mulher, onde perde tudo devido às vicissitudes da selva para quem não está preparado, e começa a viver com os índios xuar, onde aprende todos os segredos da selva amazónica. Devido a um episódio infeliz, vê-se obrigado a ir viver para uma pequena povoação de colonos brancos, onde vive um administrador arrogante, a quem está constantemente a dar lições devido à sua experiência anterior na selva. Um caso clássico e tema já um bocado batido do homem humilde mas conhecedor que está constantemente a dar lições ao homem com poder e arrogante, mas que é ignorante.

António Bolívar começa a interessar-se pela leitura, e, posteriormente, pelos romances de amor (daqueles que acabam sempre bem), que o transportam para um universo idílico, longe da crua realidade da vida. Aspecto potencialmente interessante deste romance, mas que não é devidamente explorado pelo escritor, nunca se sentindo nem se pressentindo nada de particularmente interessante ou profundo nesta obstinação de Bolívar por esses romances.
António Bolívar é, resumindo, um personagem singular, que apresenta uma certa sabedoria de vida, mais prática do que propriamente espiritual, o que, não sendo um defeito, acaba por se revelar superficial por falta de aprofundamento da parte do escritor.

Desprovido de grandes riquezas literárias, o romance vale pelas descrições da selva amazónica e pelos episódios onde mostra os conhecimentos e sabedoria dos indígenas, mas tem demasiado cheiro a reportagem e muito pouco de romance. Uma colagem de vários aspectos da vida amazónica embrulhados na tentativa de criar um enredo e um romance em torno de um velho que gostava de ler histórias de amor, mas que falha no seu todo. O romance pode ser original pela temática, e criar algumas expectativas quer pelo seu título, quer pelos primeiros capítulos, mas não sobrevive como um bom romance, sendo a sua brevidade uma forma de camuflar a sua vulgaridade, onde o leitor mais desprevenido, estando ainda um pouco encantado com as primeiras páginas, não chega a ter tempo de se aperceber da pouca essência do romance.

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