Opinião de Leitura
Comunicação e Culturas do Quotidiano Comunicação e Culturas do Quotidiano

Autor: Ferin, Isabel

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Opinião

(Recensão do terceiro capítulo do livro "Comunicação e Culturas do Quotidiano", de Isabel Ferin)

Isabel Ferin, licenciada em História e doutorada em Ciências da Comunicação escreve no seu livro - "Comunicação e Culturas do quotidiano" - uma vasta rede de conhecimento acerca da comunicação e da cultura, como da sua respectiva relação.

O objectivo da professora é reunir todo um conjunto de conceitos que caracterizam melhor a palavra comunicação. Através das correntes de pensamento contemporâneo - Psicologia, Sociologia, Antropologia, Linguística - consegue-o.

Tudo começa na linguística onde Saussure, Peirce, Shannon e Weaver e Roland Barthes se destacam. Através das teorias destes importantes nomes da comunicação é explicado no livro a história da linguística até aos dias de hoje. Estes nomes são marcos da história da investigação no campo das ciências da comunicação.

A partir dos anos 80 começa a ser analisada a relação entre Media e Sujeito. Charadeau inicia esta investigação. Mas, Van Dijk, já nos anos 60-80 considerava que o nosso conhecimento derivava do que lemos na imprensa.

Neste sub capítulo da linguística é analisado a pragmática linguística. Aqui é importante o acto linguístico, wittgenstein faz um paralelismo entre os factos e a linguagem, quando analisa o discurso do indivíduo.

Não esquecendo o Espaço Público e o que ele representa na linguística, Isabel Ferin recolhe à investigação feita pela Escola de Frankfurt sobre este tema. O "espaço público" é o "local" onde as pessoas deliberam sobre os seus interesses comuns, como por exemplo "os cidadãos deliberam os assuntos da sua cidade".

Segundo sub capítulo: Sociologia.

Conceitos sociológicos são explicados neste sub capítulo: "actor social", "socialização primária", "socialização secundária", "grupo", "estatuto", "poder", "ideologia", "papel social".

Na perspectiva comunicacional o que importa reter é o papel que a socialização secundária está a ocupar nas sociedades modernas. A socialização secundária é muito importante na nossa sociedade pois as instituições socializadores como a família deixaram de funcionar como funcionavam na sociedade onde a mulher não trabalhava. Os media assumem o papel de educadores enquanto instâncias da socialização secundária.

Este capítulo é elucidativo no campo da sociologia, pois é uma explicação sucinta de como é entendida e estudada a sociedade sob a perspectiva sociológica. Neste sub capítulo é analisado o conceito de classe para distinguir interesses comuns que geram comunicação. O poder é analisado por Weber sob o ponto de vista da coesão social, onde cada indivíduo tira proveito de uma relação baseada no poder.

A Cibernética Norbert Wiener é destacada no capítulo da sociologia como corrente que introduziu novos conceitos na comunicação: "feedback, controlo de informação, output e input nos sistemas."

Este é o sub capítulo mais longo do terceiro capítulo. Isto explica-se pela forte ligação entre Comunicação e Cultura. Por sua vez a cultura é estudada pela sociologia.

Estes sub capítulo revela o problema social da sociedade cada vez mais niilista e mais individualista e é nele que o conceito ambíguo cultura é definido segundo várias perspectivas.

O terceiro capítulo é onde a professora da Universidade de Coimbra disserta sobre a influência da Antropologia e da Psicologia Social na Comunicação. Destaca novamente aqui que o objectivo é apenas "enunciar conceitos e teorias que têm permitindo explicitar os fenómenos e processos da comunicação na modernidade".

Já depois da leitura da curta definição de antropologia, sabe-se qual a relação que a Psicologia Social estabelece com a comunicação e cultura. A relação consiste na articulação de várias dimensões: "a do sujeito (...), a da interacção (...) e a do contexto social."

A antropologia é também importante na definição de cultura. No entanto, é nesta corrente que este conceito se torna mais ambíguo: "oscilará entre uma concepção descritiva e uma concepção simbólica das práticas culturais".

No desfecho da sua rede de conceitos Isabel Ferin finaliza com as concepções: "identidade", "representações sociais", "estereótipo", "comunicação interpessoal", "interculturalidade", "multicultural-idade" e "aculturação".

Esta parte que se congloba na dimensão da psicologia, centra-se no indivíduo como objecto da psicologia e evidencia o quanto é importante este estudo para a comunicação.

O terceiro capítulo do livro "Comunicação e Culturas do Quotidiano" acaba por ser um enorme glossário acerca do conhecimento interdisciplinar, dominado pelas disciplinas tradicionais e que é o verdadeiro objecto da comunicação. No livro "Pensar a Comunicação", Dominique Wolton escreve isso mesmo: "não existe uma ciência da comunicação, uma vez que a comunicação faz apelo a várias disciplinas." Assim, através do livro de Isabel Feirin apreende-se uma série de conceitos chave para a aprendizagem dessas ciências da comunicação.

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